Leia o texto publicado na 24ª edição do jornal UTFPR Notícias sobre o professor e maestro Sérgio Wolf Francisco, da Banda Marcial do Colégio Bagozzi.
15/03/2010
Aluno do então Cefet-PR, Wolf fez parte da antiga Banda Marcial da instituição na década de 80, há mais de 15 anos comanda bandas escolares (atualmente é professor e regente nos colégios Bagozzi e Nossa Senhora Menina) e é o idealizador da G&M Bandas e Fanfarras Ltda. Como reconhecimento, em 2007, foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba por serviços prestados à Cultura da cidade. E, em 2008, pela Fundação Cultural de Curitiba por Inestimável Parceria e Apoio à Cultura de Curitiba. Com formação superior em Música pela PUC-PR, o carioca, pai de três filhos, já influenciou dois: Gabriel Augusto, com 10 anos, e Mateus Felipe, de oito, tocam sob sua batuta – a terceira, Ana Beatriz, deve chegar em julho.
Que curso fez nesta Instituição e em que época?
Entrei em 1980, no então Cefet, para fazer o curso de telecomunicações. Éramos chamados de telefonistas (brinca). Mas não cheguei a concluir o curso. Porém, a base da busca do saber e disciplina para uma aprendizagem melhor devo ao Cefet. Saí da instituição no final de 1984.
Em que a formação dada pelo então Cefet-PR contribuiu em sua vida?
Entrei para ser técnico e saí músico. Hoje, com toda a certeza, tenho prazer no que faço e isto agradeço ao “Cefet”. Faço o que gosto e ainda me pagam por isto! E também lembro o fato de ter entrado para a Banda Marcial e o Handebol da instituição. E a figura do professor Roraí Pereira Martins, responsável pela Banda Marcial na época não era apenas a de um professor, mas também de um amigo e, em muitos casos, um segundo pai. A experiência na banda foi tão estimulante que, a partir da minha entrada, decidi me tornar músico e professor de música; mais professor do que músico. Ele, o maestro Roraí, com toda a certeza, mudou a minha vida.
Que lembranças guarda daquela época?
Quando entrei no Cefet participei, juntamente com outros alunos, da semana do calouro, na qual eram demonstradas as atividades extraclasse, que a instituição deixava à nossa disposição. Muitos artistas e desportistas surgiram devido a esta iniciativa. Imediatamente resolvi fazer parte da banda. Pode-se dizer que foi amor à primeira vista (lembra). Além disso, muitos amigos foram feitos dentro da banda e com alguns mantenho contato até hoje. A banda era muito mais que uma atividade extraclasse, era uma segunda família para todos. Lembro também da minha primeira e única greve, pedindo melhorias no investimento na educação. Foi em 1980. Todos os alunos e funcionários aderiram ao movimento e às passeatas pacíficas.
Neste mês de janeiro, a UTFPR foi um dos cenários da Oficina de Música de Curitiba. Qual a importância do relacionamento entre a música e a educação?
Acho que estamos no início de uma longa caminhada, poucas instituições de ensino têm interesse em montar uma banda ou investir em atividades musicais. Que pena! Em países de primeiro mundo já se comprovou, cientificamente, a grande importância da música na vida das crianças e jovens, realidade também observada em nosso país, porém pouco utilizada enquanto recurso didático. Os benefícios significativos são inúmeros, entre os quais podemos citar o desenvolvimento do censo crítico e do raciocínio lógico, porque existe a participação do grupo em muitas decisões e escolhas; o desenvolvimento da criatividade, quando fazemos evoluções e coreografias durante a execução das músicas; a aprendizagem da cooperação e disciplina, através do trabalho em equipe; o estímulo ao civismo, por oportunizar o aprendizado e a execuçãode diferentes hinos; e a solidariedade, quando doamos o nosso trabalho para o bem estar e alegria de diversas instituições carentes. Sendo assim podemos acreditar que a música não é somente um estímulo para o desenvolvimento intelectual, mas também um objeto de resgate e prevenção do direito à cidadania.
Deixe uma mensagem para a comunidade da UTFPR pelos 100 anos da instituição.
O mesmo recado que sempre passo aos meus alunos: Aproveitem bem essa fase de sua vida, pois ela é insubstituível e com toda a certeza é a melhor! Ao Cefet, ou hoje UTFPR, o meu muito obrigado pelo carinho e pela atenção dedicados a mim em meu período de estudante e o meu agradecimento especial pelo convite em poder participar da comemoração do centenário da instituição com as minhas bandas. Fora das comemorações do centenário, também observamos o grande envolvimento dos alunos e servidores nas nossas apresentações, pois estive por volta de 2004 e 2005 envolvido no Encontro de bandas promovido pela instituição.
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