Veja aqui a matéria publicada na Gazeta do Povo sobre o prof. Carlos José Gomes.
27/04/2010
Leia abaixo a matéria completa publicada na Gazeta do Povo sobre o professor de Biologia do Colégio Bagozzi, Carlos José Gomes:
Quem vê pela primeira vez o professor Carlos José Gomes nos corredores da PUCPR tem uma ideia totalmente equivocada de sua personalidade. Grande, com barba, voz grossa e avental branco, é a imagem da autoridade, da “brabeza”. Imagem que se desmonta aos primeiros minutos de conversa. Com brincadeiras inteligentes, Carlos Gomes é a empatia em pessoa, característica que usa para “ganhar” os alunos nas aulas de Anatomia. Disciplina odiada por muitos, o conteúdo é passado de uma forma mais solta. “Eu desconstruo verdades. Brinco com os alunos que a primeira coisa que devem fazer é matar a mãe, que costuma ensinar coisas erradas, como a que sapo solta leite e que se a criança não comer tal coisa vai ficar com lombriga. ‘Tua mãe não sabe nada, tua avó não sabe nada’, digo para eles.”
Carlos tenta entender a linguagem dos jovens. Afinal, todos os anos seus alunos têm sempre a mesma idade, entre 20 e 22 anos. Já ele, está sempre um ano mais velho, mas tenta não envelhecer a linguagem. Isso não quer dizer que vai sair por aí falando gírias. Ao contrário, tenta manter o respeito em alto nível. “Essa moçada só pensa em sacanagem, ainda mais em aula de Anatomia. Por isso não permito brincadeiras de mau tom, apesar de sempre tentar ter como ponto de partida o universo deles”, conta.
Depois da desconstrução, de mostrar para eles como funciona o corpo humano, o segundo passo é construir. Fazer com que se encantem com a disciplina, tendo sempre uma novidade no bolso para repassar o conteúdo. “De vez em quando peço que mostrem o que têm nas mochilas, o que comem. Isso serve para eles entenderem na prática a disciplina.” Essa maneira apaixonada fez com que o professor fosse, nos dois últimos anos, considerado o melhor professor da PUCPR, segundo avaliação dos alunos. A avaliação leva em conta, entre outras coisas, o conteúdo, a assiduidade e o relacionamento.
O reflexo desse reconhecimento está na coleção de placas de homenagens recebidas em formaturas, a cada semestre. Ele tem um armário cheio delas, perto de 30. Além da PUCPR, o professor leciona Biologia para uma escola de Ensino Médio e ainda participa de cursos à distância. Ao todo, são inacreditáveis 52 horas em sala de aula por semana. “Quando entro em férias, o período da manhã eu até gosto. Mas a tarde demora para passar. Sinto falta da sala de aula”, conta.
Publicado em 25/04/2010
Repórter: Daniela Neves
Link: http://bit.ly/9BouT5
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